Lições de Empreendedorismo e Gestão de Negócio: O que podemos aprender com as Escolas de Samba?
Já reparou que as escolas de samba, blocos e bailes de carnaval são verdadeiras organizações que podem e devem ser usadas como exemplo no nosso dia a dia profissional? Não?! Então se liga, pois pesquisadores do mundo todo já se atentaram para isso, inclusive um grupo da Universidade de Harvard usou os carnavais da Sapucaí como modelo.
Flávia Garcia
2/24/20254 min read
Motivação, foco no resultado, empatia, unidade, confiança, comunicação, alta performance, criatividade, mente aberta e jogo de cintura são algumas das várias características necessárias tanto no meio dos negócios como nos barracões e nos desfiles das escolas de samba. Quando me dei conta de que esta coluna seria publicada às vésperas do feriado de Carnaval, logo me lembrei das minhas experiências nos bastidores desta festa, de como o perfil empreendedor faz a diferença e como podemos aprender sobre gestão de negócios e conflitos com este espetáculo que já se tornou um patrimônio cultural e imaterial.
Ao fazer uma breve pesquisa histórica, não me admirou saber que a Universidade de Harvard usou o modelo de planejamento e execução do carnaval carioca, pelas escolas de samba, como um padrão a ser seguido em suas unidades, na busca por resultados extraordinários de PRODUTIVIDADE e DESENVOLVIMENTO de novos talentos. Não me admirou ver a quantidade de pessoas que já fizeram considerações sobre as escolas de samba com este olhar de gestão.
Um pouco de história
As escolas de samba surgiram há cerca de 100 anos atrás. Na década de 1930, partiram para disputar um campeonato entre si que atualmente é considerado um dos maiores espetáculos culturais do mundo, sendo um marco do carnaval brasileiro, principalmente nas capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Como todo espetáculo e toda instituição, as escolas de samba e blocos de carnaval precisam de um planejamento detalhado e de uma execução com foco na meta que é o desfile com alta performance. ENCANTAR tanto a plateia, como os jurados, comentaristas e os integrantes daquele desfile é a grande meta.
Para que haja o espetáculo na Marquês de Sapucaí, aqui no Rio de janeiro, são meses de muito trabalho e dedicação dentro dos barracões de cada escola. Centenas de pessoas dedicam sua vida para que a magia do carnaval aconteça naqueles 82 minutos de passagem pela avenida. Algumas agremiações chegam a ser consideradas exemplos de organização neste sentido.
A história dos carnavais de rua começou com a mobilização do povo, as primeiras agremiações surgiram como organizações de bairro. Mas logo as pessoas entenderam que uma dose de organização tornaria aquele espetáculo muito mais bonito. A capital carioca, berço do samba e palco de tantos desfiles e espetáculos lindos vibra a cada carnaval e grande parte da população fica aguardando os quatro dias e as madrugadas de desfile na Sapucaí para admirar o resultado de um ano de trabalho. Mas nem só de grandes escolas é feito o carnaval. Cada centro urbano tem seu bloco, sua avenida, sua organização. Organização esta que dura o ano inteiro e precisa de muito planejamento, muita dedicação, jogo de cintura e esforço físico e mental para que alcance a meta de tirar suspiros e aplausos da população.
Habilidades e Estratégias
Algumas habilidades e estratégias usadas pelas escolas de samba podem e devem ser vistas nas organizações e nos projetos de empreendedorismo. Por exemplo, ter CLAREZA DOS SEUS OBJETIVOS é uma das necessidades mais destacadas pelos coaches e consultores de negócios. Afinal, já dizia o Coelho, de “Alice no País das Maravilhas”, qualquer caminho serve para aquele que não sabe aonde quer chegar. As escolas de samba têm o seu objetivo muito bem definido! E isso é um ponto bem positivo.
Outra característica marcante nos desfiles da Sapucaí é a ENERGIA, o entusiasmo e o dinamismo, muito cobrados e incentivados pelos diretores de harmonia. Não só na concentração e no desfile em si, mas a empolgação é vista e motivada durante boa parte do ano, nos ensaios dentro e fora das quadras das escolas. É preciso manter a chama da alegria acesa. Isso, inclusive desenvolve outra característica muito necessária no mundo que é a sensação de PERTENCIMENTO. Ao estar com uma camisa de uma escola ou a fantasia de determinada ala, por exemplo, você se sente parte de um todo, de um grupo que está em busca dos mesmos aplausos. Pessoas de diferentes realidades, com diferentes histórias, se juntam com um objetivo comum, ser feliz e fazer bonito na avenida. Assim acontece, ou pelo menos deveria acontecer nas empresas.
A habilidade de TRABALHAR EM EQUIPE também é essencial nestes dois mundos. Na Sapucaí, todos buscam a nota 10 dos jurados. Podemos comparar a atuação dos ritmistas, por exemplo, com o trabalho de funcionários de uma linha de produção. Cada um tem o seu papel bem definido e quando um escorrega, pode atrapalhar o trabalho do outro. A comissão de frente e o casal de mestre sala e porta bandeira, por exemplo, são como os PROFISSIONAIS DE VENDA, aqueles cujos holofotes dos clientes (no caso dos jurados) estão mais definidos e focados. Um pequeno deslize tira um grande ponto do todo.
Nestas duas atuações, seja num desfile de carnaval ou no dia a dia de uma empresa, é fundamental que as pessoas estejam motivadas, que ATUEM COM PAIXÃO, com o olhar no todo, ALINHADAS COM A VISÃO, A MISSÃO E OS VALORES DA ORGANIZAÇÃO. As dificuldades enfrentadas na avenida, como uma fantasia rasgada por exemplo, ou um tombo no meio do desfile, nos ensinam a levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima, como diz a canção do sambista Jorge Aragão.
Assim como acontece nos barracões das escolas, principalmente no período entre a definição do enredo, escolha do samba, criação das alegorias e fantasias, a CRIATIVIDADE e a LIBERDADE do ‘pensar fora da caixa’ são muito úteis principalmente no dia a dia dos empreendedores e das micro e pequenas empresas.
Eu poderia ficar aqui escrevendo linhas e linhas sobre estas relações. Se entrasse na temática e na análise dos sambas-enredo, daria uma monografia inteira. Mas vou deixar vocês com a tarefa de pesquisar e observar.
